
Elaine Hames
...te amo...
“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas… continuarei a escrever.” Clarice Lispector

Quando eu não digo as coisas, eu faço isso porque sei que ia acabar em discussão, que é melhor pra você eu não dizer...e espero que você, ainda assim, entenda minhas palavras não ditas, porque você sabe que eu preciso expor as coisas, esclarecer o que nenhum de nós entendemos. Quando eu digo que tá tudo bem se você não for, não tá tudo bem, eu queria muito que você fosse, mas entendo, como sempre, sua indisponibilidade pra mim. Queria que num dia desses que a gente se visse, você no meio do meu silêncio de mil palavras caladas, parasse para me ler. Sim, porque eu sou palavras, só preciso ser verbalizada. Queria ouvir sua interpretação de mim, de nós.Queria ouvir algo diferente dessa vez, nada de contar histórias do passado, queria de verdade ouvir sobre nós, nosso futuro. Saber se você tem planos pra gente, se os nossos planos batem. Porque eu tenho muitos, e é uma pena que você não os conheça, são lindos. Queria saber se antes de dormir você lembra da gente, nos imagina em tantos outros dias que virão. Porque pensar em alguém antes de dormir é um gesto tão sincero e involuntário de carinho, e porque eu penso todos os dias. Quero que nesse dia, quando eu como sempre fingir que não me importo, você como sempre sorria e diga que sabe que eu to morrendo por dentro, que essa minha mania de me proteger das coisas não cola contigo. E que nesse dia eu não precisasse me proteger de nada, só confiar, porque seria, enfim, o começo da nossa história de verdade...
Tenho medo de olhar teus olhos e neles me ver. Tenho medo de então enxergar, bem na minha frente, tudo que tanto procurei mundo afora e tão longe daqui. Tenho medo de no teu abraço encontrar o abrigo que nunca tive, a proteção que jamais senti. Medo de te achar refúgio, repouso... Tenho medo de não conseguir soltar tua mão, de rir feito boba e perder a fala, perder a voz, ou as poucas palavras que ainda me restam. Medo de sentir, de não sentir, de mergulhar e me afogar de desejos em mares de loucuras nunca antes navegados. Tenho medo do teu sorriso, de senti-lo devastando meu mundo, minhas lembranças, meus velhos conceitos do que era bonito e especial. Tenho medo do que pode acontecer... Do que pode não acontecer. E do que já aconteceu...!