E o amor? Eu me pergunto. O amor, ah, sei lá. O amor nem dá
pra definir direito. Acho que é um desejo de abraçar forte o outro, com tudo o
que ele traz: passado, sonhos, projetos, manias, defeitos, cheiros, gostos.
Amor é querer pensar no que vem depois, ficar sonhando com essa coisa que a
gente chama de futuro, vida a dois. Acho que amor é não saber direito o que ele
é, mas sentir tudo o que ele traz. É você pensar em desistir e desistir de ter
pensado em desistir ao olhar para o rosto da pessoa, ao sentir a paz que só
aquela presença traz. É nos melhores e piores momentos da sua vida pensar
preciso-contar-isso-pra-ele. É não querer mais ninguém pra somar e dividir os sonhos. É querer proteger o
outro de qualquer mal. É ter vontade de dormir abraçado e acordar junto. É
sentir que vale a pena, porque o amor não é só festa, ele também é enterro.
Precisamos enterrar nosso orgulho, prepotência, ciúmes, egoísmo, nossas falhas,
desajustes, nosso descompasso. O amor não é sempre entendimento, mas a busca
dele. O amor é uma tentativa eterna.
“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas… continuarei a escrever.” Clarice Lispector
segunda-feira, 30 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
Sou Reticências
Eu sou igual a todo mundo, mas tem algo
em mim que me faz diferente. Quando percebo que o estou sentindo é recíproco, sou
romântica, carinhosa, e até dengosa. Sou menina-moleca, mas não boba. Quando
preciso sei me defender, não me apoio em ninguém, tento andar sempre com minhas
próprias pernas. Das coisas que gosto,
não abro mão, não desisto facilmente. Eu erro e muitas vezes aprendo com esses
erros, outras vezes erro mais um pouco me estrepo e acabo tomando jeito. Sou
persistente, insistente e sempre para frente.
Sou açucarada, azeda, ou de múltiplos sabores. Depende do dia, do meu
humor, e dependo de quem. Sou dona de uma intensidade sem tamanho, de uma
imaginação surreal e uma sensibilidade só minha.
Vario em uma só, sou uma só em várias.
Impulsiva, esperta e atrevida. Sou verdadeira, sou um colo, sou amiga. Tenho um
jeito de mulher moderna, tenho um toque de menina mimada. Sou teimosa, impaciente, chorona, forte, sorridente.Tenho um coração burro, bobo e inteligente.
Ele é maior que minha razão, ele é maior do que eu mesma. Por mais que eu queira,
nunca consigo esconder o que sinto. Sou transparente, é de pé no chão, cabeça
na Lua e música no ouvido. Sou inteira, completa, única, imperfeita.
Comigo, muitas vezes, não existe meio termos,
ou é tudo, ou é nada. Sou segura de mim,
insegura do mundo. Sou algumas vírgulas e várias interrogações. Sou inúmeras vezes
reticências.Eu não me reprimo, sou atitude e
ousadia. Mostro-me, escondo, sou dança, abraço e emoção. Sou instinto, delicada
e bem humorada. Sou um olhar que tudo diz, mas que ainda ninguém descobriu. Nem
eu mesma. Sou aquela que ama, que se apaixona, que acredita. Sou aquele gosto doce e incessante de ser
assim, sempre feliz. Quer mais?
É só dizer, SOU reticências...
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Havia chegado pra ficar...
No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo maravilhoso para ser dado e recebido, daqueles presentes que a vida embrulha com os seus papéis mais bonitos e entrega, toda contente, a duas pessoas. Havia algo para ser trocado, e troca é quando duas vidas se sentem olhadas ao mesmo tempo. Havia algo que fazia um coração falar com o outro, ouvir o que era dito, gostar do que era dito, rir com o que era dito, sentir-se espelhado, sentir-se enternecido, querer brincar, muito além do que qualquer palavra, por qualquer motivo, por qualquer defesa, tentasse, em vão, esclarecer. Uma vontade de parar todos os relógios do mundo para eternizar a dádiva da presença compartilhada, e a impressão de que às vezes até conseguíamos. Algo raro e precioso. Que é perfeito, ao mesmo tempo que consegue incluir todas as imperfeições. Que é lindo, ao mesmo tempo que consegue integrar as esquisitices todas que gente também tem. Havia amor e, de um jeito ou de outro, sabíamos sem nos dizer, havia chegado pra ficar...
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Ana Jácomo
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