Começo a escrever baixinho. Deve ser aquele receio que eu
tenho que as palavras me dominem. É bem provável que elas desvendem o que ainda nem me dei conta. Mas
confesso, hoje eu gostaria de me entender. Gostaria que o meu coração me chamasse para ter uma conversa demorada, e séria. Ahh,
como eu queria que ele me contasse tudinho que eu preciso saber ao meu
respeito. Sinceramente, eu não sei o que se passa por dentro. Na
boa, eu não sei. E nada tenho haver com essa
confusão de sensações. Ou tenho? Me vejo diferente, esquisita, estranhamente
inquieta. Acho que acordei para algumas coisas que estavam adormecidas.
Valores, princípios e um cuidado a mais por mim. Na
verdade, existem coisas que são minhas, só minhas. Tão minhas, que me agarro com elas até
que tudo ganhe o sentido que eu preciso. É um estranho fluxo de
pensamento. Um despertar.
Uma quase certeza que a minha história ainda tem algo a me
contar. Eu sei que tem. Não quero mais a mesmice, o comodismo e
o que ainda é dúvida. Não aceito uma realidade
que não seja pelo menos um tracejado do que
eu desejo. Quero os meu sonhos de mãos dadas com o acaso, e
que eles me levem aonde eu devo chegar. Não tenho pressa. O que
vem depois, não se explica, simplesmente acontece. O
segredo é que eu vou começar a respeitar as minhas vontades, vou correr os
riscos que tanto a minha alma insiste. Eu me rendo, eu me enfrento. Quem sabe
numa manhã dessas eu acorde distraída e o medo vire coragem. Quem sabe. Quero mais é ousadia.
Quando o vento tiver ao meu favor, pegarei carona com ele. Vou saber para onde
ir e o que levar comigo. Já que a vida sempre reserva surpresas,
digo sim para elas. Deixo rolar.

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