Cansei
de me flagrar em circunstâncias em que eu jurava que havia ocorrido uma falha
do cenógrafo na montagem do ambiente: tudo o mais poderia estar no lugar
correto, mas não era para eu estar ali. Aí era um tal de listar os supostos
culpados, lamentar a má sorte, um blablablá triste toda vida, sob o fundo
musical de “Ó, Deus, como sou infeliz”.Muitas cenas depois, porque só o tempo é
capaz de nos dar olhos que veem um pouco além das aparências, comecei a
encaixar as peças daquelas tais circunstâncias e a perceber que estive
exatamente onde eu me coloquei. Nem um centímetro a mais nem a menos. Eram os
meus sentimentos, minhas dores pendentes de cura, minha resistência à mudança,
minhas crenças equivocadas sobre mim, que me atraíam para aqueles cenários. Peças
encaixadas, descobri que, no fim das contas, a roteirista o tempo todo era
eu.Se a história não me agrada, preciso aprender a reescrevê-la até que se
torne parecida com a ideia que passa pelo meu coração. O roteiro só muda quando
eu assumo a minha responsabilidade por ele e me trabalho para ser capaz de
modificá-lo.Não adianta culpar o cenógrafo...

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